Dieta low FODMAP: por que você deveria evitar os alimentos fermentativos

Tem sofrido com problemas gastrointestinais? A culpa pode estar no que você está colocando no prato

Desconforto abdominal, várias idas ao banheiro ou constipação, conviver com gases… Se você passa por isso toda vez que come determinado tipo de alimento, saiba que seu problema pode ir além da intolerância à lactose ou ao glúten.

Uma em cada sete pessoas no mundo sofre com a Síndrome do Intestino Irritável (SII), apontou uma pesquisa da Universidade de Mônaco, na França. Entre esses indivíduos, 75% dos que começaram uma dieta low FODMAPs sentiram alívio nos desconfortos intestinais depois de um tempo.

FODMAP, oi? Calma, a gente sabe que o termo é ainda pouco conhecido. Por isso, conversamos com Elaine Moreira, médica e membro da Federação Brasileira de Gastroenterologia, de São Paulo, para ajudar a desvendar os itens fermentativos que podem estar por trás dos seus desconfortos gástricos.

Keep calm, organismo!

A SII é um distúrbio intestinal-funcional que, segundo a expert, tem um diagnóstico difícil. “Os sintomas, que podem ser leves, moderados ou intensos, são cíclicos, inespecíficos e presentes também em outras doenças do trato gastrointestinal”.

A sensação de dor ou desconforto abdominal, a diarreia, a constipação intestinal e flatulência (gases) podem ter muitas causas, mas também podem significar uma maior sensibilidade aos FODMAPs.

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O que são os FODMAPs

O nome esquisito vem de uma sigla que designa carboidratos de cadeia curta que são mal digeridos pelo intestino humano (oligossacarídeos, dissacarídeos, monossacarídeos e polióis fermentáveis). Por serem pequenos, eles atraem moléculas de água no órgão que, juntos, são fermentados pelas bactérias do organismo, gerando gases. Nas pessoas mais sensíveis (com SII, por exemplo), esse processo pode desencadear os sintomas desagradáveis mencionados.

Apesar de não ser um carboidrato, a médica alerta sobre a relação do glúten com os sintomas. “Ele está presente no trigo, na cevada e no centeio, que se enquadram na lista de FODMAPs. Portanto, deve ser evitado por quem está restringindo esses alimentos”.

Mas onde se encontram os FODMAPs? De acordo com o estudo da universidade francesa, eles estão presentes em:

Frutose (monossacarídeos)

Os pesquisadores afirmam que a frutose é absorvida com eficiência até uma certa quantidade. Quando você a consome demais, a capacidade de absorção do intestino perde eficiência.

Alimentos ricos em frutose: mel, sucos de fruta, maçã, pera, melancia, ervilha.

Lactose (dissacarídeos)

O que acontece, nesse caso, é que algumas pessoas não produzem as enzimas que quebram a lactose no intestino. E aí, já sabe: a SII ataca novamente.

Alimentos com lactose: leites de origem animal (de acordo com a espécie, pode ser em maior ou menor concentração) e derivados.

Polióis

Presentes em alguns adoçantes artificiais (como o sorbitol e manitol), também podem ser mal absorvidos por algumas pessoas.

Alimentos com polióis: maçã, damasco, pêssego, nectarina, pêra, ameixa, cereja, abacate, amora, lichia, couve-flor, cogumelos.

Oligossacarídeos

Eles não são bem absorvidos por ninguém e, por isso, é muito comum ficarmos com alguns gases quando os comemos. O problema é que nas pessoas mais sensíveis, eles podem causar dores mais fortes, inchaço e flatulência.

Alimentos com oligossacarídeos: grãos enlatados, lentilhas, feijão e grãos integrais de soja.

Dieta Low FODMAP

São tantos os FODMAPs que descobrir quais deles fazem mal para o organismo pode ser uma tarefa difícil. Segundo a Federação Brasileira de Gastroenterologia, o segredo consiste em retirar os FODMAPs que fazem parte da sua dieta aos poucos e, em fases, ir adicionando os grupos alimentares.

O segredo para identificar os itens que estão fazendo mal para você é prestar bastante atenção e, provavelmente, excluir o alimento da sua rotina. Contudo, a médica alerta: “A dieta low FODMAPs é extremamente restritiva. Quando seguida por longo período, sem orientação adequada, pode gerar stress, irritabilidade e até eventual carência nutricional”.

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