Como identificar que você está compensando durante um exercício
Balançar o corpo, perder a postura ou mudar a trajetória são algumas pistas. Veja três estratégias para identificar compensações no treino
Você começa uma série com o movimento controlado, mas, conforme as repetições avançam, alguma coisa muda: o tronco começa a balançar, os ombros sobem, os joelhos se deslocam ou a amplitude diminui. O peso continua saindo do lugar, mas já não exatamente da mesma maneira.
Essas mudanças podem ser estratégias de compensação, quando o corpo modifica a execução para conseguir cumprir uma tarefa. Elas podem aparecer por fadiga, carga elevada, limitações de mobilidade ou simplesmente pelas características individuais de movimento. E nem toda pequena alteração significa, sozinha, que existe um problema ou uma lesão.
Como perceber quando isso está acontecendo? Algumas estratégias podem ajudar.
1. Grave a execução de diferentes ângulos
O espelho nem sempre permite acompanhar tudo enquanto você está concentrado em levantar o peso. Uma gravação de frente e de lado pode revelar mudanças que passam despercebidas durante a série.
Observe, principalmente, se a execução das últimas repetições continua parecida com a das primeiras. Inclinação crescente do tronco, perda importante da amplitude, mudança na trajetória da carga ou movimentos que aparecem apenas quando surge a fadiga merecem atenção.
2. Diminua a velocidade
Tem dúvida se está usando impulso? Experimente fazer o mesmo exercício mais devagar.
Controlar principalmente a fase de descida pode deixar mais evidente quando você depende do balanço para movimentar determinada carga. Na rosca bíceps, por exemplo, jogar o tronco para trás repetidamente para conseguir subir o halter mostra que o exercício já está sendo realizado de maneira diferente daquela usada no início.
O mesmo raciocínio vale para outros movimentos. No agachamento, por exemplo, a fadiga pode modificar a estratégia usada por quadril, joelhos e tronco. Um estudo discutido no Journal of Electromyography and Kinesiology mostrou que diferenças na capacidade dos extensores do quadril e da coluna podem alterar a distribuição das demandas durante tarefas de agachamento e levantamento.
3. Preste atenção à trajetória e à postura
Algumas compensações são mais fáceis de enxergar: joelhos mudando bruscamente de direção durante o agachamento, ombros subindo involuntariamente em exercícios de membros superiores ou uma carga que começa seguindo uma trajetória e termina em outra.
Mas cuidado para não transformar qualquer assimetria em diagnóstico. Até o valgo do joelho, frequentemente apontado como sinal de “fraqueza do glúteo”, é multifatorial. Pesquisas publicadas no Journal of Bodywork and Movement Therapies investigam a relação entre força do quadril e o movimento do joelho, mas um padrão visual isolado não permite determinar sua causa.
Quando é hora de diminuir a carga?
Uma pista importante aparece quando só é possível continuar a série mudando bastante a execução. Se você precisa usar cada vez mais impulso, reduzir involuntariamente a amplitude ou abandonar o controle que tinha nas primeiras repetições, aquela carga pode já estar além do que consegue executar com a técnica pretendida.
Isso não significa que todo movimento precise parecer perfeitamente idêntico do começo ao fim. A fadiga naturalmente produz alterações. O objetivo é reconhecer quando elas se tornam grandes o suficiente para transformar o exercício.
E vídeo, espelho ou percepção corporal servem para identificar pistas, não para diagnosticar a causa de uma compensação. Se um padrão se repete, provoca dor ou você não consegue corrigi-lo mesmo reduzindo a carga, a avaliação de um profissional de educação física ou fisioterapeuta pode ajudar a entender o que está acontecendo.





