O desempenho na corrida muda durante o tratamento com canetas emagrecedoras?

Veja o que pode influenciar o ritmo e a resistência de quem utiliza esses medicamentos

Por Helena Saigh 12 out 2026, 20h00
Mulher jovem, de perfil, correndo em uma calçada de paralelepípedos ao lado de um lago. Ela veste top e calça legging pretos, tênis escuros com cadarços laranja, e tem os cabelos castanhos soltos. O céu está claro com algumas nuvens, e há árvores verdes na margem oposta do lago
A redução do apetite durante o tratamento com canetas emagrecedoras exige atenção à alimentação de quem pratica corrida. (ArthurHidden/Magnific)
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Na corrida, carregar menos peso pode parecer uma vantagem. Afinal, quanto menor o peso corporal, menor tende a ser o esforço necessário para se deslocar. Mas essa lógica não é tão simples quando o emagrecimento acontece durante o uso de medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro.

As chamadas canetas emagrecedoras podem provocar mudanças que vão além dos números na balança, desde a redução do apetite até alterações na composição corporal. E, para quem corre, essas transformações levantam uma questão importante: perder peso com a ajuda desses medicamentos pode melhorar o desempenho ou acabar comprometendo o rendimento?

A energia disponível faz diferença no ritmo

A semaglutida e a tirzepatida aumentam a sensação de saciedade, o que pode levar a uma redução importante da quantidade de alimentos consumidos. Para quem pratica corrida, essa mudança merece atenção.

Isso porque os carboidratos ajudam a repor o glicogênio muscular, utilizado como combustível principalmente durante esforços intensos. Se o corredor passa a comer menos do que precisa, pode encontrar dificuldades para manter a velocidade, completar treinos longos e se recuperar entre as sessões.

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Além disso, efeitos adversos como náuseas e vômitos podem dificultar a alimentação e a hidratação, especialmente no início do tratamento ou após aumentos de dose.

A perda de peso não envolve apenas gordura

Uma análise do estudo “SURMOUNT-1”, publicada em 2025 na revista Diabetes, Obesity and Metabolism, avaliou a composição corporal de 160 participantes com obesidade ou sobrepeso. Após 72 semanas de tratamento com tirzepatida, aproximadamente 75% do peso perdido correspondia à gordura e 25% à massa magra, proporção semelhante à observada no grupo placebo.

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A massa magra inclui músculos, água e outros tecidos. Embora o estudo não tenha avaliado corredores, os resultados mostram por que é importante preservar a musculatura durante o emagrecimento. Uma perda muscular significativa pode comprometer a força necessária para sustentar o movimento das passadas.

O que as pesquisas dizem sobre o exercício?

Uma revisão sistemática publicada em 2026 no International Journal of Obesity reuniu sete estudos, com 924 participantes, para investigar a atividade física de pessoas que utilizavam medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1.

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Na maioria das pesquisas, não houve diferenças estatisticamente significativas na atividade física em comparação com os grupos de controle. A participação em exercícios estruturados também permaneceu semelhante.

Os resultados, porém, não permitem determinar se houve melhora ou piora na velocidade, na resistência ou no desempenho específico da corrida, já que esses não eram os principais indicadores analisados.

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Como conciliar o tratamento com os treinos?

Garantir uma alimentação compatível com o volume de corrida é um dos principais cuidados. Mesmo com menos apetite, o organismo continua precisando de carboidratos para sustentar o esforço e de proteínas para a recuperação muscular.

A musculação também ajuda a preservar a força durante o emagrecimento. Caso surjam fadiga persistente, tontura ou dificuldade para se alimentar, a intensidade dos treinos deve ser reavaliada com orientação profissional.

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Até o momento, faltam estudos que comprovem uma melhora ou queda generalizada no desempenho de corredores durante o uso dessas medicações. O rendimento pode variar conforme a resposta individual ao tratamento, a disponibilidade de energia e a manutenção da força muscular.

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