Você treina todos os dias, mas será que está realmente saudável?

Aparência fitness pode mascarar problemas de saúde. Sinais do corpo alertam sobre rotinas e hábitos que pedem atenção médica

Por Maraísa Bueno 19 set 2026, 22h00
Mulher de cabelo escuro preso, usando top e shorts esportivos cinzas, sentada em um tapete de yoga cinza, alongando-se e tocando os pés com as mãos. Ela sorri, com bolas de ginástica coloridas ao fundo
Treina todos os dias e acha que está saudável? Coração, pulmão, libido e até cabelo podem mostrar que algo está errado. (yuliiaka/Magnific)
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Você possui uma rotina de treinos, controla seu peso e tem a sensação de que sua saúde está impecável. Mas, muitas vezes, a rotina fitness não é sinônimo de saudabilidade. Ter uma alimentação restritiva, um emagrecimento acelerado, além de pouca recuperação dos treinos, além de hábitos, como o uso de vape, podem fazer com que seu corpo emita sinais de que precisa de ajuda!

A atividade física é uma das principais ferramentas de prevenção de doenças, mas precisa fazer parte de um conjunto de cuidados. Coração, pulmões, músculos, cabelos e até a saúde sexual e urinária podem revelar problemas que a aparência não mostra.

Pensando nisso, especialistas no assunto trouxeram tópicos importantes para se levar em consideração, além de entender os sinais do corpo, mesmo tendo uma rotina regrada de atividades físicas e alimentação. Veja a seguir:

Treinar não apaga os outros fatores de risco para o coração

A prática regular de exercícios protege a saúde cardiovascular, mas não torna ninguém imune a hipertensão, colesterol elevado, estresse ou distúrbios do sono. Por isso, estar em boa forma não substitui acompanhamento médico e avaliação individualizada.

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Para a a Dra. Bárbara Fagundes, cardiologista titular da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), atualmente, a maioria das pessoas sabe que precisa se alimentar melhor, fazer atividade física, dormir bem, controlar o estresse e acompanhar a pressão e o colesterol.

“O grande desafio é conseguir colocar tudo isso em prática dentro da realidade de cada pessoa. E é justamente aí que o acompanhamento médico individualizado faz diferença”, pontua a profissional.

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Falta de ar no treino nem sempre é apenas falta de condicionamento

Ficar ofegante durante um exercício intenso é esperado. O sinal muda de importância quando surgem falta de ar desproporcional, tosse persistente, chiado, desconforto no peito ou uma redução da capacidade para realizar atividades que antes eram bem toleradas.

“É necessário avaliar cada caso individualmente. Tosse e falta de ar podem ter diversas causas, e uma investigação adequada é fundamental para chegar ao diagnóstico correto”, afirma o pneumologista Dr. Marcelo Ceneviva Macchione.

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Treinar e usar vape não transforma o cigarro eletrônico em um hábito inofensivo

É possível frequentar academia, correr e ainda manter hábitos prejudiciais à saúde. O vape é um exemplo. O bom desempenho físico momentâneo não significa que as vias respiratórias não estejam sendo expostas às substâncias presentes no aerossol.

“É importante entender que o usuário não está simplesmente inalando vapor de água. O aerossol produzido pelo dispositivo pode conter nicotina, partículas ultrafinas, aromatizantes e outras substâncias. A exposição repetida pode irritar e inflamar as vias respiratórias”, alerta Dr. Marcelo.

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Emagrecer rápido demais pode aparecer no cabelo

No universo fitness, perder gordura rapidamente ainda é visto como sinônimo de resultado. Para o organismo, porém, uma grande redução de peso em pouco tempo pode representar uma mudança metabólica importante. Dietas muito restritivas e ingestão inadequada de nutrientes também podem contribuir para o aumento da queda dos fios.

“O que muitas pessoas percebem como uma consequência direta do medicamento pode, na verdade, estar relacionado ao emagrecimento acelerado e às mudanças que acontecem no organismo durante esse processo. A perda de peso representa uma mudança metabólica importante e pode interferir temporariamente no ciclo de crescimento dos cabelos”, explica a Dra. Amanda Caroline Costa Leitão.

Balança descendo e músculo desaparecendo não são necessariamente uma vitória

O número na balança não mostra sozinho a qualidade do emagrecimento. Perder peso sem preservar massa muscular e sem garantir uma alimentação nutricionalmente adequada pode comprometer justamente uma estrutura essencial para força, movimento e saúde.

“É fundamental que o emagrecimento seja acompanhado. O paciente precisa conseguir manter uma alimentação nutricionalmente adequada, com atenção especial à ingestão de proteínas e micronutrientes. Não devemos pensar apenas no número apresentado pela balança, mas também na preservação da massa muscular e da saúde como um todo”, destaca Dra. Amanda.

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Dor constante não deveria virar sinônimo de “treino bem feito”

Existe diferença entre o desconforto esperado após determinados exercícios e uma dor persistente ou progressiva. Peso corporal, intensidade dos exercícios e condição musculoesquelética interferem na carga recebida por joelhos, quadris, coluna e tornozelos.

Para o ortopedista Dr. Fernando Jorge, a atividade física continua sendo parte fundamental da prevenção, desde que adequada à condição de cada pessoa. “A atividade física regular, com exercícios de fortalecimento muscular, aeróbicos de impacto moderado e trabalho de equilíbrio e mobilidade, prescritos de forma individualizada, é uma das intervenções mais eficazes. O ideal é combinar controle de peso, atividade física supervisionada e acompanhamento multidisciplinar.”

Corpo definido não significa que todos os sistemas estejam funcionando bem

Essa talvez seja a principal armadilha da cultura fitness: usar aparência ou desempenho como sinônimos de saúde. Uma pessoa pode correr quilômetros ou levantar grandes cargas e, ainda assim, apresentar alterações silenciosas que merecem acompanhamento.

“Cuidar do coração não é apenas prescrever medicamentos ou solicitar exames. É ajudar o paciente a construir uma rotina que proteja sua saúde ao longo dos anos. Muitas vezes, ele já sabe o que precisa fazer; o que falta é apoio, direção e acompanhamento para conseguir fazer”, conclui Dra. Bárbara Fagundes.

A lógica vale para o restante do organismo. O objetivo do exercício não deveria ser apenas conseguir treinar mais, emagrecer mais rápido ou alcançar determinada aparência, mas construir uma rotina que possa ser sustentada sem ignorar os sinais que surgem pelo caminho.

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