É possível perder força sem perder massa muscular?
Força antes da massa: entenda a relação muscular e os riscos do emagrecimento rápido para sua saúde e performance.
A capacidade de construir força muscular depende de vários componentes, como coordenação, massa muscular, técnica e tipo de treinamento. E se você acha que é possível perder força sem perder massa muscular, você está certa!
Pesquisas científicas mostram que a força pode cair mais rapidamente do que a massa muscular.
Um estudo de Häkkinen et al., acompanhou adultos de meia-idade e idosos durante 24 semanas em um treinamento de força, passando também por um período em que não treinavam.
O resultado foi a diminuição de massa, mas também de força. O estudo mostrou ainda que, nas fases iniciais do treinamento, as adaptações neurais tinham papel muito importante nos ganhos de força.
Mas o destaque do estudo foi que força e massa muscular não mudaram na mesma velocidade.
E isso é comprovado também em um experimento com homens jovens que eram sedentários e começaram a fazer treino de força. Foram 6 meses, sendo 3 de treinamento e 3 de destreinamento.
Após o treinamento, eles puderam verificar que a medida da superfície de um corte feito de maneira perpendicular (em ângulo reto) ao longo do eixo de um músculo, chamada secção transversal muscular, aumentou 100%.
Além disso, a força aumento em diferentes velocidades de contração.
E após três meses sem treinar, medidas de força diminuíram, mas algumas adaptações neurais permaneceram. O estudo comprovou que a capacidade de produzir força não depende exclusivamente do tamanho do músculo.
A força cai antes do músculo – literalmente!
Um outro experimento comprovou que força não é mesmo sinônimo de massa muscular.
Durante 12 semanas, sendo oito de treinamento e quatro de destreinamento, os pesquisadores puderam comprovam que, após o período de treinamento, a força dos extensores de joelho caiu 9%, e a área de secção transversal do quadríceps diminuiu 3%.
Outro dado relevante foi a medida da corrente elétrica gerada pelos músculos quando eles se contraem ou relaxam (atividade eletromiográfica). Ela caiu 20%. Já ativação muscular voluntária, caiu apenas 5%.
Você sabia? O emagrecimento acelerado pode prejudicar sua força muscular e saúde
O emagrecimento acelerado pode causar a perda de músculos, o que afeta negativamente força, estabilidade, proteção articular e a parte metabólica. Privações calóricas muito significativas, dietas extremamente restritivas e uso de medicamentos sem a adoção de um estilo de vida equilibrado são fatores que favorecem a redução de massa muscular.
“Uma privação calórica muito grande faz com que o corpo entre em um estado chamado catabólico. Quando isso acontece, ele tende a poupar a gordura, que funciona como uma reserva de energia, e passa também a degradar o tecido muscular”, fala a Dra. Martha Gisela Farias dos Santos, endocrinologista do Hospital Quali Ipanema.
A endocrinologista ressalta que menos músculo significa um comprometimento da taxa metabólica basal. “Ou seja, a pessoa tem uma queda no gasto calórico total, o que torna o emagrecimento a longo prazo muito mais difícil e facilita o ganho de gordura posterior”, destaca.
Também é fundamental lembrar que perder músculos impacta pontos como funcionalidade, mobilidade e até mesmo a longevidade.
“Emagrecer muito rápido é como tentar ler um livro inteiro em uma única noite. Você pode até chegar ao fim, mas não vai absorver quase nada”, cita a médica do Hospital Quali Ipanema.
De acordo com a especialista, o ideal é garantir um emagrecimento que aconteça de maneira gradual, respeite os limites do corpo e foque na construção de hábitos realmente sustentáveis e compatíveis com a rotina.
“O mais recomendado é que esse processo ocorra gradualmente e focando na adoção de novos hábitos. O emagrecimento gradual é o que garante um resultado duradouro”, finaliza a endocrinologista.
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