Ficar em pé trabalha o corpo?
Pesquisas mostram que permanecer em pé ativa músculos, aumenta o gasto energético e pode trazer benefícios para a circulação e a postura
Levantar da cadeira parece um gesto simples, mas provoca uma série de mudanças no organismo. Ao passar da posição sentada para a posição em pé, o corpo precisa ativar músculos, reorganizar o equilíbrio e trabalhar contra a ação da gravidade para se manter estável.
Embora ficar em pé não substitua a prática de exercícios físicos, estudos mostram que essa mudança de postura pode aumentar o gasto energético, melhorar a circulação sanguínea e reduzir alguns desconfortos associados ao excesso de tempo sentado.
Ficar em pé aumenta o gasto energético
Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2018 no European Journal of Preventive Cardiology analisou 46 estudos com mais de 1.100 participantes e concluiu que permanecer em pé gasta, em média, 0,15 caloria a mais por minuto do que ficar sentado.
Os pesquisadores estimaram que substituir parte do tempo sentado por períodos em pé pode gerar um aumento gradual do gasto energético ao longo dos meses, contribuindo para um estilo de vida menos sedentário.
O impacto vai além da balança
Os benefícios mais relevantes, porém, parecem estar relacionados à saúde cardiovascular.
Um estudo publicado em 2022 no PubMed Central (PMC), intitulado The Impact of Standing Desks on Cardiometabolic and Vascular Health, acompanhou trabalhadores que utilizaram mesas reguláveis durante 24 semanas. Os resultados mostraram melhora na dilatação dos vasos sanguíneos, indicador associado à saúde cardiovascular.
Isso acontece porque ficar em pé ativa a musculatura das pernas, especialmente as panturrilhas, que auxiliam o retorno do sangue ao coração e reduzem o acúmulo de sangue nos membros inferiores.
Menos dores e mais mobilidade
Outro benefício observado pela ciência está relacionado ao conforto físico.
Um estudo publicado em 2021 na revista MDPI avaliou os efeitos da alternância entre as posições sentada e em pé durante o expediente. Os pesquisadores encontraram redução de dores e desconfortos em regiões como pescoço, ombros e lombar.
Segundo os autores, permanecer sentado por muitas horas favorece o encurtamento de músculos como os flexores do quadril e os posteriores da coxa. Levantar-se regularmente ajuda a interromper esse padrão e exige maior ativação da musculatura do core, responsável pela estabilização do tronco.
O ideal é alternar as posições
Apesar dos benefícios, ficar em pé o dia inteiro não é a solução. As pesquisas apontam que os melhores resultados acontecem quando há alternância entre períodos sentado, em pé e pequenas caminhadas ao longo do dia. Dessa forma, é possível reduzir o comportamento sedentário sem gerar sobrecarga excessiva nas articulações e na musculatura.





