Quanto tempo leva para dominar um movimento?

Entre entender a execução e realizá-la quase automaticamente, o cérebro passa por diferentes etapas de aprendizado

Por Helena Saigh 12 ago 2026, 20h00
Mulher loira sorridente, de fones de ouvido brancos, fazendo exercícios abdominais com peso em um colchonete na academia
O domínio de um movimento acontece gradualmente, conforme a repetição torna a execução mais consistente e automática.  (Drazen Zigic/Magnific)
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Aprender um novo exercício pode ser frustrante. No começo, é preciso pensar na posição dos pés, no movimento dos braços, na postura e até na respiração ao mesmo tempo. Depois de algumas semanas, aquilo que exigia tanta concentração começa a parecer natural. Essa mudança acontece porque aprender um movimento também é um processo de adaptação do cérebro.

Primeiro, você precisa pensar em tudo

O modelo de aprendizagem motora desenvolvido pelos psicólogos Paul Fitts e Michael Posner divide esse processo em três fases.

A primeira é a cognitiva, que pode durar de dias a semanas e concentra a maior quantidade de erros. Em seguida vem a fase associativa, quando a execução fica mais consistente e a pessoa começa a reconhecer e corrigir os próprios erros. Por último está a fase autônoma, na qual o movimento exige pouca atenção consciente.

Chegar até essa última etapa pode levar de meses a anos, dependendo da complexidade da habilidade e da frequência de prática.

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É possível melhorar já no primeiro treino

Curiosamente, parte do aprendizado acontece muito rápido. Um estudo de Karni et al., publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), identificou uma fase rápida de aprendizagem, na qual é possível apresentar melhora significativa já durante uma única sessão.

Mas executar melhor depois de algumas tentativas ainda está longe de significar que o movimento foi dominado.

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Repetir transforma a maneira como o cérebro executa o movimento

Com semanas de prática, acontece uma etapa mais lenta de consolidação. O cérebro passa a depender menos das áreas relacionadas à atenção e ao planejamento e mais de estruturas envolvidas na automatização dos movimentos.

Esse processo está relacionado à neuroplasticidade: a repetição fortalece conexões entre neurônios envolvidos naquele gesto e favorece adaptações que tornam a comunicação neural mais eficiente.

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É por isso que, depois de muita prática, um movimento que antes exigia concentração pode ser realizado quase automaticamente.

Afinal, existe um número de treinos?

Não existe uma quantidade universal de horas ou repetições. A famosa ideia das “10 mil horas” não funciona como uma regra científica para dominar qualquer habilidade.

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Movimentos mais simples podem se tornar consistentes em semanas, enquanto habilidades esportivas complexas podem exigir anos de prática. Mais importante do que buscar um número específico é repetir o gesto com frequência e boa execução, já que praticar o movimento errado repetidamente também pode consolidar erros.

A ordem dos exercícios interfere nos resultados?

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