Treinar pouco e intenso, ou muito e moderado: o que é melhor?
Os dois métodos oferecem benefícios, mas exigem esforços e tempos de recuperação diferentes
Uma hora de caminhada acelerada ou 20 minutos de treino intervalado? Quando o tempo disponível para se exercitar é limitado, a duração costuma pesar na escolha. Mas uma sessão mais longa não é necessariamente mais eficiente, assim como terminar um treino completamente exausto não garante resultados superiores.
A intensidade modifica a maneira como o organismo produz energia, responde ao esforço e se recupera. Por isso, entender o que cada modalidade oferece pode ajudar a escolher uma rotina mais adequada ao condicionamento físico e aos objetivos de cada pessoa.
O que muda entre os dois tipos de treino?
No treinamento intervalado de alta intensidade, conhecido como HIIT, períodos de esforço intenso são intercalados com momentos de recuperação. Essa alternância permite atingir intensidades elevadas sem precisar sustentá-las continuamente.
Já nas atividades moderadas e prolongadas, como caminhada rápida, ciclismo ou corrida leve, o esforço permanece relativamente estável, permitindo que o exercício seja mantido por mais tempo.
Ambos utilizam os sistemas aeróbio e anaeróbio de produção de energia, mas em proporções diferentes. Quanto maior a intensidade, maior tende a ser a participação dos carboidratos como combustível. Em ritmos moderados, a contribuição relativa das gorduras costuma ser maior.
Essa diferença, entretanto, não significa que um método seja automaticamente superior para emagrecer.
O treino intenso oferece resultados mais rápidos?
Uma revisão sistemática publicada em 2023 no International Journal of Environmental Research and Public Health analisou 29 estudos que compararam o HIIT com o treinamento contínuo moderado em adultos jovens e de meia-idade.
Os dois métodos melhoraram o condicionamento cardiorrespiratório e a composição corporal. O HIIT apresentou vantagens em alguns indicadores, como o VO2 de pico, medida da capacidade de utilização de oxigênio durante o esforço, além de exigir menos tempo de treinamento em determinados protocolos.
Isso não significa, porém, que sessões intensas sejam sempre superiores. O HIIT exige maior esforço durante os intervalos e pode demandar mais recuperação, especialmente de quem ainda está construindo condicionamento.
E o que se ganha treinando por mais tempo?
O exercício contínuo moderado permite acumular mais minutos de atividade sem precisar atingir intensidades tão elevadas. Isso favorece o desenvolvimento da resistência aeróbica e pode ser mais fácil de manter regularmente.
Uma revisão publicada no International Journal of Sports Medicine, voltada à capacidade aeróbica de mulheres, encontrou melhorias semelhantes no VO2 máximo com HIIT e treinamento contínuo de intensidade moderada a vigorosa. A frequência das sessões também influenciou os resultados.
Portanto, a duração e a regularidade não devem ser ignoradas em favor da intensidade.
Qual vale mais a pena incluir na rotina?
A escolha depende do objetivo e do condicionamento. Para quem dispõe de pouco tempo e já tolera esforços intensos, o HIIT pode ser uma alternativa eficiente. Já os treinos moderados são úteis para desenvolver resistência, aumentar o volume semanal e manter uma rotina com menor exigência por sessão.
Também não é necessário escolher apenas um. A Organização Mundial da Saúde recomenda de 150 a 300 minutos semanais de atividade aeróbica moderada ou de 75 a 150 minutos de atividade vigorosa, além de exercícios de fortalecimento muscular em pelo menos dois dias da semana. As intensidades podem ser combinadas.
No fim, o melhor treino não é necessariamente o mais longo ou o mais cansativo, mas aquele cuja intensidade e duração permitem evoluir sem comprometer a recuperação e a regularidade.





