Quem pratica esporte também pode ter gordura no fígado?

Atletas e pessoas fitness podem ter esteatose hepática. A saúde do fígado vai além da aparência física e exige atenção redobrada

Por Juliany Rodrigues 25 out 2026, 18h00
Mulher com rabo de cavalo, camiseta branca e calça preta, alongando os braços em um campo de grama verde com linhas brancas e pista de corrida vermelha ao fundo, sob luz solar
Quem pratica esporte também pode ter gordura no fígado? | (Magnific/Magnific)
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Adotar um estilo de vida ativo e manter um corpo “em forma” não significa estar livre de problemas metabólicos. Embora a prática regular de exercícios seja uma das principais medidas para a saúde do fígado, pessoas magras, musculosas e até atletas podem desenvolver esteatose hepática, condição que se caracteriza pelo acúmulo excessivo de gordura no órgão. Isso mostra que a aparência nem sempre reflete o funcionamento do organismo.

A doença pode se manifestar mesmo em quem tem um índice de massa corporal (IMC) considerado normal. Nesses casos, fatores como resistência insulínica, alterações no colesterol e predisposição genética podem influenciar de forma significativa.

“Existe uma ideia de que quem pratica esportes ou tem o abdômen definido está automaticamente protegido contra doenças metabólicas, mas isso não é verdade. A atividade física reduz significativamente os riscos, porém não elimina a influência da genética, da alimentação e de alterações como a resistência à insulina”, explica a Dra. Flávia Feier, cirurgiã especializada em doenças do aparelho digestivo, transplante hepático e cirurgia bariátrica.

Segundo a professora de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), mesmo entre pessoas que treinam diariamente, dietas desequilibradas, consumo exagerado de ultraprocessados e ingestão de álcool podem interferir negativamente na saúde do fígado.

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É fundamental ressaltar que o uso indiscriminado de esteroides anabolizantes e determinados suplementos pode provocar lesões no fígado, apesar desses problemas não serem necessariamente a mesma condição que a esteatose.

“O exercício físico não funciona como uma autorização para descuidar da alimentação ou utilizar substâncias sem orientação. Muitas pessoas se preocupam com a quantidade de proteína, com o ganho de massa muscular e com o percentual de gordura, mas esquecem de acompanhar indicadores metabólicos. O fígado participa de processos fundamentais para o organismo, e a saúde dele precisa fazer parte da rotina de quem busca desempenho esportivo”, destaca Flávia.

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Gordura no fígado pode ser silenciosa

A esteatose hepática tende a ocorrer de um jeito silencioso, o que dificulta o diagnóstico e atrasa o tratamento adequado. Na maioria das vezes, ela não causa sintomas específicos, sendo identificada durante exames de rotina ou investigações de outras condições.  Quando associada à inflamação e fibrose, pode evoluir para complicações mais graves, como cirrose.

A avaliação deve considerar não apenas o peso, mas também o histórico familiar, a circunferência abdominal, os níveis de glicose, o perfil lipídico e outros fatores de risco.

“Não basta olhar para o espelho e concluir que está tudo bem. Uma pessoa pode ter músculos desenvolvidos, praticar corrida ou musculação e ainda apresentar alterações que precisam de acompanhamento.

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A prevenção da gordura no fígado

“A prevenção envolve atividade física regular, alimentação equilibrada, controle dos fatores metabólicos e avaliação individualizada. O objetivo não é apenas ter um corpo com aparência saudável, mas garantir que os órgãos também estejam funcionando adequadamente”, conta a médica.

Tanto os exercícios aeróbicos (como caminhar, pedalar ou nadar) quanto os de força, como a musculação, ajudam a diminuir a gordura no fígado e deixam o metabolismo mais saudável. Mas, se a doença já foi diagnosticada, vale contar com um médico para descobrir o que está por trás do problema, checar se já existe fibrose (a cicatrização do órgão) e definir o melhor caminho para cada caso.

“Precisamos ampliar o conceito de saúde dentro do universo esportivo. Performance não deve ser medida apenas por força, velocidade, resistência ou definição muscular. Um atleta verdadeiramente saudável também precisa cuidar daquilo que não aparece nas fotografias ou nos resultados dos treinos. E o fígado merece essa atenção”, conclui Feier.

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É possível eliminar a gordura do fígado somente com a prática de atividade física?

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