SOP e exercício físico: o que mais ajuda
A prática regular de exercícios é parte essencial no controle da síndrome dos ovários policísticos
A síndrome dos ovários policísticos, conhecida como SOP, vai muito além de uma questão hormonal. Ela impacta o metabolismo, o peso, o humor e até a forma como a mulher se enxerga, o que pode dificultar, inclusive, a prática de exercícios físicos.
Segundo a Dra. Tassiane Alvarenga, endocrinologista e metabologista pela SBEM, é comum que mulheres com SOP apresentem risco aumentado de ansiedade moderada a grave, sintomas de depressão e até transtornos alimentares.
Além disso, muitas vezes, por estarem acima do peso, enfrentam questões relacionadas à autoestima e à autoconfiança. Nesse cenário, o exercício físico acaba ficando em segundo plano. “Desta forma, só existe um lugar para o médico: ao lado dessas pacientes, encorajando-as na busca de um estilo de vida melhor”, explica.
Por que o exercício muda o quadro da SOP
A atividade física não atua apenas na estética. No caso da SOP, ela tem impacto direto em diversos sistemas do corpo.
“A prática regular de exercício físico em mulheres com SOP tem demonstrado resultados positivos na composição corporal, com perda de gordura visceral e redução da circunferência abdominal, além de melhorar parâmetros metabólicos como glicemia, colesterol e gordura no fígado, cardiovasculares e hormonais, além da função reprodutiva, com maior chance de ovulação e gravidez”, afirma a médica.
Uma revisão publicada no Human Reproduction Update reforça esse papel, mostrando que mudanças no estilo de vida, incluindo o exercício, estão entre as principais estratégias no manejo da síndrome, especialmente por melhorarem a resistência à insulina.
Aeróbico ou força: o que funciona melhor
Não existe um único tipo de exercício ideal. O que mais traz resultado é a combinação.
A Organização Mundial da Saúde recomenda pelo menos 150 minutos de atividade física por semana. Para mulheres com SOP, o mais indicado é combinar exercícios aeróbicos, como caminhada, bicicleta ou dança, com treinos de força, como musculação ou pilates.
Essa estratégia atua tanto no gasto calórico quanto na regulação metabólica.
5 exercícios aeróbicos para fazer em casa e potencializar seus treinos
Por que ganhar músculo faz diferença
O treino de força tem um papel central no controle da SOP.
“O tecido muscular é rico em receptores de insulina. Ao estimular esse tecido, a atividade física ajuda a regular os níveis de insulina e, com isso, contribui para o controle do peso, do excesso de pelos, da queda de cabelo e da regularização dos ciclos menstruais”, explica a especialista.
Um estudo publicado no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism mostra que o aumento da massa muscular está diretamente associado à melhora da sensibilidade à insulina, um dos principais fatores envolvidos na síndrome.





