O treino para quem faz uso de canetas emagrecedoras precisa ser ajustado?
Estudos mostram que esse tipo de medicamento pode reduzir massa magra durante o emagrecimento, tornando o treino de força um aliado importante
As canetas emagrecedoras mudaram o tratamento da obesidade, mas também levantaram uma preocupação entre especialistas: o impacto da perda de peso sobre a massa muscular.
Isso porque medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro reduzem significativamente o apetite e facilitam o emagrecimento. O problema é que o corpo não perde apenas gordura durante esse processo.
Estudos clínicos mostram que parte do peso eliminado vem da massa magra, tornando a prática de exercícios físicos ainda mais importante.
O que acontece com os músculos?
Nos estudos STEP 1 e SURMOUNT -1, que avaliaram semaglutida e tirzepatida, pesquisadores observaram que entre 24% e 40% do peso perdido correspondia à massa magra.
Segundo Bruna Marisa, pós-graduada em endocrinologia e especialista em obesidade e saúde da mulher, a medicação deve ser encarada como apenas uma das ferramentas do tratamento, mas é a alimentação adequada que garante o aporte de nutrientes essenciais, enquanto o exercício físico contribui para a preservação de massa muscular, melhora da sensibilidade à insulina e aumento do gasto energético.
A musculação vira prioridade
Por causa da menor ingestão calórica, o treino de força passa a ter papel central durante o tratamento.
Musculação, treinamento funcional e outras modalidades resistidas ajudam a sinalizar ao organismo que aquela musculatura continua sendo necessária, reduzindo as perdas de massa magra durante o emagrecimento. Por isso, especialistas costumam recomendar pelo menos três sessões semanais de treino resistido.
O exercício protege a composição corporal
Um estudo publicado no The New England Journal of Medicine acompanhou pessoas que utilizaram medicamentos para emagrecimento associados ou não à prática de exercícios.
Os pesquisadores observaram que os participantes que combinaram a medicação com treinamento físico preservaram melhor a massa muscular, mantiveram o metabolismo mais ativo e apresentaram melhores ganhos de força e condicionamento.
E o cardio?
Os exercícios aeróbicos continuam importantes para a saúde cardiovascular, mas o excesso merece atenção.
Como a ingestão de calorias costuma diminuir durante o tratamento, volumes muito altos de cardio podem aumentar ainda mais o déficit energético e dificultar a preservação muscular. Por isso, a recomendação costuma ser simples: usar o treino de força como base da rotina e o aeróbico como complemento.
Mais do que perder peso
Para Bruna, quando esses pilares caminham juntos, não há apenas perda de peso, mas também melhora da composição corporal, do equilíbrio hormonal e da saúde como um todo.
Afinal, o sucesso do tratamento não é medido apenas pelos quilos perdidos, mas também pela capacidade de preservar músculos, força e qualidade de vida durante o processo.





