O treino para quem faz uso de canetas emagrecedoras precisa ser ajustado?

Estudos mostram que esse tipo de medicamento pode reduzir massa magra durante o emagrecimento, tornando o treino de força um aliado importante

Por Helena Saigh 9 jun 2026, 18h00
Mãos de uma pessoa com unhas claras, segurando uma caneta de insulina azul e preta, enquanto remove a tampa protetora da agulha. Um medidor de glicemia está desfocado na mesa.
Combinar musculação, alimentação adequada e tratamento medicamentoso ajuda a preservar músculos e melhorar a composição corporal durante o emagrecimento. (freepik/Freepik)
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As canetas emagrecedoras mudaram o tratamento da obesidade, mas também levantaram uma preocupação entre especialistas: o impacto da perda de peso sobre a massa muscular.

Isso porque medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro reduzem significativamente o apetite e facilitam o emagrecimento. O problema é que o corpo não perde apenas gordura durante esse processo.

Estudos clínicos mostram que parte do peso eliminado vem da massa magra, tornando a prática de exercícios físicos ainda mais importante.

O que acontece com os músculos?

Nos estudos STEP 1 e SURMOUNT -1, que avaliaram semaglutida e tirzepatida, pesquisadores observaram que entre 24% e 40% do peso perdido correspondia à massa magra.

Segundo Bruna Marisa, pós-graduada em endocrinologia e especialista em obesidade e saúde da mulher, a medicação deve ser encarada como apenas uma das ferramentas do tratamento, mas é a alimentação adequada que garante o aporte de nutrientes essenciais, enquanto o exercício físico contribui para a preservação de massa muscular, melhora da sensibilidade à insulina e aumento do gasto energético.

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A musculação vira prioridade

Por causa da menor ingestão calórica, o treino de força passa a ter papel central durante o tratamento.

Musculação, treinamento funcional e outras modalidades resistidas ajudam a sinalizar ao organismo que aquela musculatura continua sendo necessária, reduzindo as perdas de massa magra durante o emagrecimento. Por isso, especialistas costumam recomendar pelo menos três sessões semanais de treino resistido.

O exercício protege a composição corporal

Um estudo publicado no The New England Journal of Medicine acompanhou pessoas que utilizaram medicamentos para emagrecimento associados ou não à prática de exercícios.

Os pesquisadores observaram que os participantes que combinaram a medicação com treinamento físico preservaram melhor a massa muscular, mantiveram o metabolismo mais ativo e apresentaram melhores ganhos de força e condicionamento.

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E o cardio?

Os exercícios aeróbicos continuam importantes para a saúde cardiovascular, mas o excesso merece atenção.

Como a ingestão de calorias costuma diminuir durante o tratamento, volumes muito altos de cardio podem aumentar ainda mais o déficit energético e dificultar a preservação muscular. Por isso, a recomendação costuma ser simples: usar o treino de força como base da rotina e o aeróbico como complemento.

Mais do que perder peso

Para Bruna, quando esses pilares caminham juntos, não há apenas perda de peso, mas também melhora da composição corporal, do equilíbrio hormonal e da saúde como um todo.

Afinal, o sucesso do tratamento não é medido apenas pelos quilos perdidos, mas também pela capacidade de preservar músculos, força e qualidade de vida durante o processo.

Canetas emagrecedoras substituem exercício?

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