Suplemento pré-treino com cafeína pode piorar enxaqueca?

Cafeína em suplementos: entenda como o estimulante pode agravar enxaquecas e causar outros efeitos adversos.

Por Redação Boa Forma Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 16 jul 2026, 22h00
Mulher jovem, com expressão de cansaço e suor no rosto, usando camiseta esportiva branca, as mãos na testa, em uma academia
Suplemento de cafeína para performance pode piorar enxaqueca ? | (Magnific/Magnific)
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Pré-treinos, cápsulas, géis energéticos e bebidas esportivas ganharam espaço na rotina de quem busca melhorar o desempenho físico. O problema é que muitos desses produtos têm um ingrediente em comum: a cafeína.

Embora ela seja reconhecida por aumentar o estado de alerta, reduzir a percepção de esforço e melhorar a performance esportiva, seu consumo nem sempre é inofensivo.

Suplemento de cafeína para performance pode piorar enxaqueca?

“Para pessoas com enxaqueca frequente ou crônica, a suplementação com cafeína pode contribuir para aumentar a frequência das crises e dificultar o controle da doença. A relação entre cafeína e enxaqueca é conhecida há anos”, fala o farmacêutico Maurizio Pupo, pesquisador, professor e diretor científico do IPUPO Pós-Graduações. .

“O cérebro da pessoa com enxaqueca apresenta uma sensibilidade aumentada a diferentes estímulos. A cafeína interfere diretamente na atividade cerebral e, quando consumida diariamente ou em doses elevadas, pode favorecer um processo chamado cronificação da enxaqueca. Além disso, sua retirada abrupta também pode desencadear crises, criando um ciclo difícil de interromper”, completa.

Segundo o Dr. Tiago de Paula, neurologista especialista em Cefaleia pela Escola Paulista de Medicina (EPM/UNIFESP) e membro da International Headache Society (IHS), a cafeína é um importante fator cronificador da doença, ou seja, favorece a transformação de crises esporádicas em um quadro mais frequente e difícil de controlar.

“Um dos exemplos clássicos da dependência da cafeína acontece quando a pessoa deixa de consumir o café diário e acorda com dor de cabeça. Ao tomar uma xícara, a dor melhora rapidamente. Mas isso não significa que o café esteja tratando a enxaqueca. Na verdade, muitas vezes estamos diante de uma dor relacionada à abstinência da cafeína. O paciente passa a depender da substância para não sentir dor, criando um ciclo que perpetua o problema”, comenta o neurologista.

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O médico explica que alguns suplementos possuem quantidade de cafeína suficiente para causar problemas importantes.

“Além do impacto na enxaqueca, podem aumentar o risco de arritmias cardíacas e até reduzir o limiar para crises convulsivas em pessoas suscetíveis. São produtos que merecem muita cautela“, comenta de Paula.

“É comum encontrarmos suplementos que fornecem entre 200 e 400 mg de cafeína por dose, quantidade equivalente a duas, três ou até quatro xícaras de café. Quando esse consumo se soma ao café, aos energéticos e a outras fontes, o indivíduo pode ultrapassar facilmente níveis que aumentam o risco de efeitos adversos, principalmente quem já convive com enxaqueca“, alerta o farmacêutico.

Outros efeitos adversos

Além da relação com a enxaqueca, a cafeína pode provocar outros efeitos adversos que muitas pessoas acabam atribuindo ao próprio treino.

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Dependendo da dose e da sensibilidade individual, é possível ocorrer palpitações, aumento da frequência cardíaca, elevação transitória da pressão arterial, ansiedade, tremores, insônia, irritabilidade, náuseas, boca seca e tontura.

“Em algumas pessoas, especialmente após o efeito estimulante inicial ou em situações de desidratação, também pode haver sensação de fraqueza e queda da pressão ao se levantar rapidamente, embora esse não seja um efeito direto e típico da cafeína. Por isso, é importante avaliar a quantidade consumida e considerar todas as fontes de cafeína presentes na rotina”, diz o farmacêutico.

A cafeína não é o único ingrediente que merece atenção. Compostos estimulantes presentes em alguns produtos para performance também podem desencadear sintomas em pessoas mais sensíveis.

“Entre eles estão substâncias como sinefrina, ioimbina e outros estimulantes utilizados para aumentar disposição e gasto energético. Em alguns indivíduos, esses compostos podem favorecer dores de cabeça, elevação da pressão arterial, ansiedade, alterações do sono e maior excitabilidade do sistema nervoso, fatores reconhecidos por facilitar o aparecimento de crises de enxaqueca”, declara Maurizio.

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Outro ponto importante é que alguns suplementos combinam vários estimulantes na mesma fórmula, potencializando seus efeitos.

“Quanto maior a carga de estimulantes, maior tende a ser o impacto sobre o sistema nervoso. Para quem apresenta enxaqueca frequente, a escolha do suplemento deve ser individualizada e considerar não apenas o objetivo esportivo, mas também o histórico clínico do paciente”, explica Pupo.

Alternativas interessantes

A boa notícia é que nem toda estratégia ergogênica depende da cafeína ou precisa ter ação estimulante central.

“Diversos suplementos apresentam evidências científicas para melhora do desempenho sem atuar como estimulantes do sistema nervoso central. Entre as opções estão a creatina, amplamente estudada para exercícios de força e potência; a beta-alanina, indicada para atividades de alta intensidade e duração intermediária; o nitrato proveniente da beterraba, que melhora a eficiência muscular em modalidades de resistência; e a adequada reposição de carboidratos e eletrólitos durante exercícios prolongados”, comenta o farmacêutico.

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“O melhor suplemento depende do tipo de atividade física, da intensidade do treinamento e das características individuais. Para pessoas com enxaqueca, muitas vezes é possível atingir excelentes resultados utilizando estratégias nutricionais e suplementos que não contenham cafeína”, acrescenta ele.

O farmacêutico reforça que pacientes com enxaqueca crônica não precisam abandonar toda suplementação, mas devem sempre avaliar a composição dos produtos antes do consumo.

“Hoje existem excelentes alternativas para melhorar o desempenho esportivo sem recorrer necessariamente à cafeína. O mais importante é que a suplementação seja personalizada e considere a saúde do cérebro tanto quanto a performance física”, finaliza Pupo.

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