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Criança pode treinar na academia? Especialistas dão orientações

Saiba qual é o tipo de exercício ideal, os benefícios do treinamento nessa faixa etária e as orientações necessárias para manter a segurança dos pequenos

Por Ana Paula Ferreira
10 jul 2024, 16h00

Quem acompanha as trends das de redes sociais como Instagram e Tik Tok já deve ter se deparado em algum momento com um vídeo de uma criança levantando pesos ou correndo na esteira. De fato, estes conteúdos estão cada mais comuns na web, o que acaba levantando uma questão importante: criança pode treinar na academia?

De acordo com Leandro Twin, professor de educação física e embaixador da Bluefit Academia, e Vinícius Ribeiro, professor de educação física e Diretor Nacional de Operações e Marketing da Bluefit Academia, existem, sim, certos exercícios que são indicados para os pequenos. No entanto, é preciso ter atenção à forma e à frequência com que eles são feitos para que sejam obtidos benefícios ao invés de riscos de lesões.

Treino adaptado para crianças

Segundo Twin, as crianças estão em fase de crescimento e desenvolvimento, exigindo uma abordagem específica para evitar lesões e promover benefícios adequados no treinamento infantil. Nesse cenário, ele explica que o treino infantil deve ser cuidadosamente adaptado, uma vez que não se pode aplicar a mesma intensidade ou sobrecarga nos pequenos.

“O treino normalmente prescrito é um treinamento com exercícios de mais simples execução e com repetições mais altas para que a carga usada seja menor. Algo próximo de 15 a 20 repetições para que a pessoa consiga coordenar aquele peso bem-feito”, afirma o profissional. Sendo assim, as atividades precisam ser supervisionadas por profissionais qualificados para garantir a segurança e eficácia no desenvolvimento físico das crianças.

Outro ponto importante é entender o objetivo do treino infantil para, assim, promover o desenvolvimento saudável das crianças e evitar lesões. Diante disso, Ribeiro afirma que crianças podem fazer musculação com cargas controladas e foco no movimento quando o objetivo principal for fortalecer os músculos para melhorar funções corporais e cognitivas durante o desenvolvimento.

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Ele destaca que, no caso de treino para crianças, “o objetivo não deve ser estético, mas funcional, voltado para o desenvolvimento de habilidades motoras e capacidades físicas.”

Leandro Twin complementa que “o treino infantil deve ser lúdico e focado em exercícios simples, com repetições mais altas para reduzir a carga utilizada”.

Por esse motivo, ambos os profissionais afirmam que não recomendam musculação para crianças muito jovens, como as de 5 anos, enfatizando “a importância de orientação profissional adequada e o uso de técnicas como pesos livres, bola e elásticos”.

Supervisão para crianças na academia

Os especialistas afirmam que não há uma idade mínima universal para que crianças frequentem a academia, mas destacam que a supervisão adequada é fundamental para garantir a segurança e eficácia dos treinos. Ribeiro esclarece que, para crianças, recomenda-se focar em esportes recreativos e atividades físicas leves, ao invés de um treinamento físico rigoroso ou de força.

A Sociedade Brasileira de Pediatria apoia a prática de musculação para crianças, desde que seja orientada por profissionais qualificados e realizada corretamente, sem prejuízo ao desenvolvimento saudável da criança. Diante disso, Leandro Twin destaca a importância do acompanhamento profissional adequado: “O treinamento deve ser feito com supervisão de um educador físico e usando mais pesos livres do que máquinas de musculação. Isso é crucial para evitar lesões e promover benefícios como a melhoria da flexibilidade e o desenvolvimento muscular e ósseo”.

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Como fica a alimentação e suplementação?

Considerar a alimentação adequada e evitar a suplementação para crianças e adolescentes é fundamental para proteger a saúde integral dos jovens e garantir que atividades físicas sejam benéficas e seguras desde a infância.

Para aprimorar essa parte, é importante destacar os riscos potenciais à saúde em desenvolvimento associados à suplementação em crianças e adolescentes. “Altas doses de proteína podem sobrecarregar os rins em crescimento, enquanto certos suplementos podem interferir no desenvolvimento hormonal natural da criança”, explica Vinícius Ribeiro.

“A alimentação da criança deve ser lúdica e focada em alimentos que ela goste. Não deve ser algo muito rígido, mas sim tranquilo, com bons hábitos alimentares, como saladas, frutas e vegetais. A ingestão de água também é essencial para manter o equilíbrio durante o treinamento”, conclui Leandro Twin.

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