Por que alguns exercícios parecem ser muito mais difíceis do que outros?
Carga não é o único fator que determina quanto esforço um movimento vai exigir durante o treino
Dois exercícios podem usar exatamente o mesmo peso e ainda assim provocar sensações completamente diferentes. Em um, as repetições saem sem grandes dificuldades. No outro, manter a postura, controlar o movimento e chegar até o final da série já parece um desafio.
Isso acontece porque o número escrito no halter ou na máquina é apenas uma parte da dificuldade. A posição do corpo, as articulações envolvidas, a necessidade de estabilização e até o quanto você já domina aquele movimento interferem no esforço necessário para executá-lo.
A posição do peso muda o esforço
O corpo funciona como um sistema de alavancas. Dependendo da distância entre a resistência e a articulação, os músculos podem precisar produzir mais ou menos torque para completar o movimento.
As próprias proporções corporais também entram nessa conta. Um estudo publicado em 2021 no Journal of Exercise Science & Fitness analisou características físicas e a biomecânica dos membros inferiores durante o agachamento e encontrou relações entre medidas corporais e aspectos da execução do movimento.
Por isso, a mesma técnica não necessariamente produz exatamente a mesma demanda para duas pessoas com corpos diferentes.
Um exercício novo também pode parecer mais pesado
Força não depende apenas do tamanho dos músculos. O sistema nervoso precisa aprender a ativá-los e coordená-los para realizar cada movimento.
A revisão clássica publicada em 1988 no Medicine & Science in Sports & Exercise, descreve como o treinamento pode melhorar a ativação dos músculos responsáveis pelo movimento e a coordenação entre eles.
É uma das razões pelas quais um exercício novo pode parecer mais difícil nas primeiras semanas e ficar mais natural com a prática, mesmo antes de grandes mudanças no tamanho muscular.
Alguns movimentos exigem mais coisas ao mesmo tempo
Um agachamento livre não exige apenas força das pernas. Também é necessário controlar o tronco, equilibrar a carga e coordenar quadril, joelhos e tornozelos.
Já uma cadeira extensora restringe boa parte do movimento e concentra o trabalho principalmente na extensão do joelho.
Isso não significa que exercícios multiarticulares sejam sempre melhores ou mais difíceis. A carga, o número de repetições, a proximidade da falha e a familiaridade com cada exercício também mudam completamente a percepção de esforço.
Existe até uma parte do movimento que pode ser mais difícil
Já percebeu que às vezes a repetição trava quase sempre no mesmo lugar? Essa região é conhecida como sticking point.
Uma revisão publicada na Sports Medicine analisou esse fenômeno no supino, agachamento e levantamento terra. Os autores explicam que fatores biomecânicos e fisiológicos podem criar uma região da amplitude em que continuar o movimento se torna desproporcionalmente mais difícil.
O local desse ponto também pode variar entre pessoas e conforme a maneira de executar o exercício.
Difícil não significa necessariamente melhor
Sentir que um exercício exige muito esforço não é garantia de que ele seja mais eficiente. Às vezes, a dificuldade vem justamente da falta de familiaridade, de uma posição desfavorável para as proporções corporais ou de uma demanda maior de equilíbrio e coordenação.
Por isso, comparar exercícios apenas pela sensação de dificuldade pode enganar. O mais pesado para você não será necessariamente o mais pesado para outra pessoa, mesmo que os dois estejam usando exatamente a mesma carga.





