Por que alguns exercícios parecem ser muito mais difíceis do que outros?

Carga não é o único fator que determina quanto esforço um movimento vai exigir durante o treino

Por Helena Saigh 1 out 2026, 18h00
Mulher jovem, morena, com rabo de cavalo, usando camiseta azul clara, exausta em uma bicicleta ergométrica na academia, com a mão na testa e a outra no guidão
Biomecânica, coordenação e familiaridade com o movimento podem mudar a dificuldade percebida durante um exercício. (pvproductions/Magnific)
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Dois exercícios podem usar exatamente o mesmo peso e ainda assim provocar sensações completamente diferentes. Em um, as repetições saem sem grandes dificuldades. No outro, manter a postura, controlar o movimento e chegar até o final da série já parece um desafio.

Isso acontece porque o número escrito no halter ou na máquina é apenas uma parte da dificuldade. A posição do corpo, as articulações envolvidas, a necessidade de estabilização e até o quanto você já domina aquele movimento interferem no esforço necessário para executá-lo.

A posição do peso muda o esforço

O corpo funciona como um sistema de alavancas. Dependendo da distância entre a resistência e a articulação, os músculos podem precisar produzir mais ou menos torque para completar o movimento.

As próprias proporções corporais também entram nessa conta. Um estudo publicado em 2021 no Journal of Exercise Science & Fitness analisou características físicas e a biomecânica dos membros inferiores durante o agachamento e encontrou relações entre medidas corporais e aspectos da execução do movimento.

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Por isso, a mesma técnica não necessariamente produz exatamente a mesma demanda para duas pessoas com corpos diferentes.

Um exercício novo também pode parecer mais pesado

Força não depende apenas do tamanho dos músculos. O sistema nervoso precisa aprender a ativá-los e coordená-los para realizar cada movimento.

A revisão clássica publicada em 1988 no Medicine & Science in Sports & Exercise, descreve como o treinamento pode melhorar a ativação dos músculos responsáveis pelo movimento e a coordenação entre eles.

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É uma das razões pelas quais um exercício novo pode parecer mais difícil nas primeiras semanas e ficar mais natural com a prática, mesmo antes de grandes mudanças no tamanho muscular.

Alguns movimentos exigem mais coisas ao mesmo tempo

Um agachamento livre não exige apenas força das pernas. Também é necessário controlar o tronco, equilibrar a carga e coordenar quadril, joelhos e tornozelos.

Já uma cadeira extensora restringe boa parte do movimento e concentra o trabalho principalmente na extensão do joelho.

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Isso não significa que exercícios multiarticulares sejam sempre melhores ou mais difíceis. A carga, o número de repetições, a proximidade da falha e a familiaridade com cada exercício também mudam completamente a percepção de esforço.

Existe até uma parte do movimento que pode ser mais difícil

Já percebeu que às vezes a repetição trava quase sempre no mesmo lugar? Essa região é conhecida como sticking point.

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Uma revisão publicada na Sports Medicine analisou esse fenômeno no supino, agachamento e levantamento terra. Os autores explicam que fatores biomecânicos e fisiológicos podem criar uma região da amplitude em que continuar o movimento se torna desproporcionalmente mais difícil.

O local desse ponto também pode variar entre pessoas e conforme a maneira de executar o exercício.

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Difícil não significa necessariamente melhor

Sentir que um exercício exige muito esforço não é garantia de que ele seja mais eficiente. Às vezes, a dificuldade vem justamente da falta de familiaridade, de uma posição desfavorável para as proporções corporais ou de uma demanda maior de equilíbrio e coordenação.

Por isso, comparar exercícios apenas pela sensação de dificuldade pode enganar. O mais pesado para você não será necessariamente o mais pesado para outra pessoa, mesmo que os dois estejam usando exatamente a mesma carga.

Todo mundo chega ao efeito platô ou só algumas pessoas?

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