Caneta emagrecedora substitui a academia?

A balança pode até mostrar resultados, mas perder peso e melhorar o condicionamento físico são coisas diferentes

Por Helena Saigh 19 out 2026, 20h00
Pessoa com pele clara aplicando uma injeção de insulina na barriga, segurando uma prega de pele com a mão esquerda e o aplicador com a direita. Veste jeans escuro e camiseta branca
As canetas emagrecedoras auxiliam na perda de peso, mas não substituem os benefícios musculares e cardiovasculares dos exercícios físicos. (stefamerpik/Magnific)
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Menos quilos na balança, roupas mais largas e mudanças visíveis no espelho. Com a popularização das canetas emagrecedoras, resultados que antes pareciam depender de meses de dieta e exercícios passaram a ser associados também ao uso de medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro.

Mas existe uma diferença importante entre emagrecer e estar em forma. Afinal, o peso corporal é apenas um dos indicadores de saúde, e nem todas as transformações provocadas pela atividade física podem ser percebidas no espelho. É justamente aí que surge a dúvida: até que ponto os resultados das canetas podem substituir aqueles conquistados com os treinos?

Perder peso não significa preservar os músculos

Durante o emagrecimento, o organismo perde gordura, mas também pode perder massa magra, que inclui músculos, água e outros tecidos.

Um subestudo do “STEP 1”, publicado em 2021 no Journal of the Endocrine Society, avaliou a composição corporal de 140 participantes tratados com semaglutida. Após 68 semanas, houve redução de 19,3% na massa gorda e de 9,7% na massa magra.

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Isso não significa que toda a massa magra perdida fosse músculo, mas reforça a importância de preservar a musculatura durante o tratamento.

É nesse ponto que a musculação ganha destaque. O treinamento de força estimula os músculos a manterem e desenvolverem sua capacidade de produzir força, ajudando a reduzir perdas musculares associadas ao emagrecimento, especialmente quando acompanhado de uma ingestão adequada de proteínas.

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O que acontece quando medicamento e exercício são combinados?

Um estudo publicado em 2021 no The New England Journal of Medicine,  acompanhou 195 adultos com obesidade após uma dieta de emagrecimento.

Os participantes foram divididos entre exercício físico, tratamento com liraglutida, combinação das duas estratégias ou placebo. Após um ano, o grupo que associou medicamento e atividade física apresentou resultados superiores na manutenção da perda de peso e na redução do percentual de gordura em comparação ao grupo placebo e, em alguns indicadores, às intervenções isoladas.

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O acompanhamento posterior do estudo “S-LiTE”, publicado em 2024 na eClinicalMedicine, também mostrou que os participantes que haviam praticado exercícios durante o tratamento apresentaram melhor manutenção do peso um ano após a interrupção das intervenções, em comparação aos que utilizaram apenas liraglutida.

Os resultados não significam que o exercício impeça completamente a recuperação do peso, mas indicam benefícios importantes da combinação das estratégias.

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A academia oferece benefícios que vão além da balança

O exercício físico melhora a força, a resistência, a capacidade cardiorrespiratória e a mobilidade. Também pode contribuir para a saúde mental, a qualidade do sono e a manutenção da autonomia ao longo do envelhecimento.

Isso não significa que os medicamentos não ofereçam benefícios cardiovasculares próprios. A semaglutida, por exemplo, demonstrou redução de eventos cardiovasculares em populações específicas. Entretanto, seus efeitos não substituem as adaptações físicas proporcionadas pelo treinamento.

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A Organização Mundial da Saúde (OMS), em diretriz publicada em 2025, também reforçou a importância de associar o tratamento farmacológico da obesidade a orientações sobre alimentação saudável e atividade física.

E vale lembrar que não é obrigatório frequentar uma academia para se exercitar. Caminhadas, exercícios com o peso corporal e outras modalidades podem fazer parte de uma rotina ativa.

A escolha das atividades e a intensidade dos treinos devem respeitar as condições de saúde, as limitações e os objetivos individuais, sempre seguindo as recomendações médicas e, quando possível, com acompanhamento de profissionais de educação física e nutrição.

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