Um lado do corpo é mais forte do que o outro?

Entenda por que pequenas diferenças de força entre os lados do corpo são normais e descubra quando vale a pena corrigi-las

Por Helena Saigh 1 jul 2026, 18h00
Mulher loira musculosa, com rabo de cavalo e tatuagens no braço, vestindo top e calça legging pretos, segura um kettlebell de 8 kg no ombro direito, olhando para baixo em uma academia com equipamentos ao fundo
Ter um lado do corpo mais forte que o outro é normal. Em muitos casos, a diferença começa ainda na gestação e também é influenciada pela forma como o cérebro controla os movimentos. (freepik/Freepik)
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Se você já percebeu que consegue fazer mais repetições com um braço do que com o outro ou que uma perna parece mais forte durante o treino, saiba que isso é mais comum do que parece. O corpo humano não é perfeitamente simétrico, e pequenas diferenças de força, equilíbrio e mobilidade fazem parte da nossa biologia.

A assimetria começa antes mesmo do nascimento

Segundo o médico ortopedista especialista em quadril David Gusmão, a assimetria corporal começa ainda na gestação.

É verdade que o nosso corpo não é simétrico, aliás, a assimetria é bela. Se nós fôssemos fazer uma cópia exata do nosso lado direito e replicá-la para o lado esquerdo, seríamos completamente simétricos, mas a aparência não ficaria tão boa”, explica.

De acordo com o especialista, durante a segunda metade da gravidez o bebê já começa a assumir posições preferenciais dentro do útero. “Inclusive, muitos problemas da infância podem ocorrer com mais frequência no lado esquerdo, que é o lado que fica mais voltado para a coluna lombar materna”, complementa.

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O cérebro também influencia a força

Além da formação do corpo, a maneira como o cérebro controla os movimentos também contribui para essas diferenças.

O nosso cérebro comanda os membros superiores e inferiores de uma forma cruzada. E isso faz com que tenhamos diferenças de habilidade, de equilíbrio, de força, de mobilidade e, muitas vezes, até de amplitude de movimentos entre os lados”, afirma David Gusmão.

Por isso, é natural que um lado seja mais habilidoso ou apresente melhor desempenho em determinadas atividades, principalmente em pessoas destras ou canhotas.

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Isso pode atrapalhar os treinos?

Na maioria dos casos, não. Segundo o ortopedista, pequenas diferenças entre um lado e outro dificilmente causam prejuízos ou representam algum problema de saúde.

Além disso, parte dessa assimetria pode ser biológica. “Às vezes, um músculo pode ter mais inervações do que o seu oposto. Isso muda, então, a capacidade de ativação dos mesmos”, explica.

No entanto, quando a diferença é muito grande ou começa a interferir na execução dos exercícios, vale a pena investigar a causa com um profissional.

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Como diminuir essa diferença?

Exercícios unilaterais, como afundo, passada, remada unilateral e desenvolvimento com um braço, ajudam a equilibrar a força entre os lados. A recomendação é sempre iniciar pelo lado mais fraco e utilizar o mesmo número de repetições no lado dominante, evitando aumentar ainda mais a diferença.

David Gusmão também recomenda atividades que estimulem a coordenação motora, a ativação neuronal, a contração muscular e a propriocepção, capacidade que permite ao corpo reconhecer sua posição no espaço mesmo sem olhar para ele. Isso traz vários benefícios cognitivos e em relação às nossas habilidades mais finas”, conclui.

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