Mito x verdade: um lado do corpo é mais forte do que o outro? Entenda

Diferenças de força entre os lados são comuns, mas nem sempre precisam ser corrigidas. Entenda por quê

Por Helena Saigh 6 nov 2026, 20h00
Jovem mulher loira, de costas, usando top azul, refletida em espelho branco ornamentado, amarrando o cabelo em coque, com expressão serena
Exercícios unilaterais permitem trabalhar cada lado do corpo separadamente e podem ajudar a reduzir diferenças de força. (magnific/Magnific)
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Se o corpo fosse dividido ao meio, os dois lados seriam exatamente iguais? Basta observar alguns detalhes para perceber que não. Um ombro pode parecer mais alto, uma perna pode ter mais estabilidade e até a força dos braços pode variar. Na academia, essas diferenças ficam ainda mais evidentes quando os exercícios exigem que cada lado trabalhe separadamente.

A assimetria faz parte da anatomia humana e não se limita à aparência. Ela também pode influenciar a maneira como realizamos movimentos e distribuímos o esforço durante o treino. Mas será que ter um lado mais forte significa que existe algum desequilíbrio que precisa ser corrigido?

Por que um lado do corpo pode ser mais forte?

As diferenças de força entre os lados são comuns e podem estar relacionadas à dominância lateral, aos hábitos cotidianos e às características biológicas.

Segundo o médico ortopedista especialista em quadril David Gusmão, a assimetria corporal começa ainda durante a gestação, quando o bebê passa a assumir posições preferenciais dentro do útero.

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“É verdade que o nosso corpo não é simétrico, aliás, a assimetria é bela. Se nós fôssemos fazer uma cópia exata do nosso lado direito e replicá-la para o lado esquerdo, seríamos completamente simétricos, mas a aparência não ficaria tão boa”, explica.

O especialista também destaca que o funcionamento do sistema nervoso participa dessas diferenças. “O nosso cérebro comanda os membros superiores e inferiores de uma forma cruzada. E isso faz com que tenhamos diferenças de habilidade, de equilíbrio, de força, de mobilidade e, muitas vezes, até de amplitude de movimentos entre os lados”, afirma Gusmão.

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Entretanto, ser destro ou canhoto não significa necessariamente ter mais força do mesmo lado em todos os exercícios. Um estudo publicado no Journal of Strength and Conditioning Research, com 28 atletas recreativos, mostrou que o membro com melhor desempenho variava conforme o teste realizado. Enquanto os saltos favoreceram a perna esquerda, o agachamento isométrico unilateral favoreceu a direita. 

Além dos hábitos e da coordenação, Gusmão aponta que diferenças na inervação muscular também podem influenciar a capacidade de produzir força. “Às vezes, um músculo pode ter mais inervações do que o seu oposto. Isso muda, então, a capacidade de ativação dos mesmos”, explica.

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Quando a assimetria muscular merece atenção?

Nem toda diferença precisa ser corrigida. De acordo com o ortopedista, pequenas variações entre os lados dificilmente causam prejuízos ou representam algum problema de saúde.

Uma revisão sistemática publicada no Journal of Sports Science and Medicine analisou 53 estudos sobre assimetrias de força entre os membros. Os pesquisadores observaram que diferenças de 10% a 15% são frequentemente utilizadas como referência, mas esses limites nem sempre apresentam fundamentação científica suficiente.

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A revisão também encontrou resultados inconsistentes sobre a relação entre assimetria, desempenho e risco de lesões. Isso significa que não existe um percentual único capaz de determinar quando a diferença passa a ser preocupante. 

Quando a assimetria é muito acentuada, dificulta a execução dos exercícios ou aparece acompanhada de dor, instabilidade e limitação dos movimentos, vale procurar uma avaliação profissional para investigar sua origem.

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É possível diminuir a diferença de força?

Quando existe necessidade de trabalhar uma assimetria, os exercícios unilaterais são uma das alternativas. Movimentos como rosca com halter, remada unilateral e exercícios de pernas realizados separadamente permitem observar o desempenho de cada membro e ajustar o treinamento.

Uma revisão sistemática publicada em 2026 na Sports Medicine – Open reuniu 11 estudos com 297 atletas e identificou que programas de treinamento unilateral e estratégias direcionadas ao membro mais fraco apresentaram reduções mais consistentes das assimetrias do que abordagens gerais.

Entre as estratégias avaliadas estava começar os exercícios pelo lado com menor força. Os autores ressaltaram, porém, que os resultados se concentram em atletas e que ainda são necessárias pesquisas para definir as melhores abordagens para outras populações. 

David Gusmão também recomenda atividades que estimulem a coordenação motora, a ativação neuronal, a contração muscular e a propriocepção, capacidade de reconhecer a posição do corpo no espaço sem precisar olhar para ele. “Isso traz vários benefícios cognitivos e em relação às nossas habilidades mais finas”, conclui.

Assimetria de força: por que um lado do corpo pode ser mais forte que o outro?

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