Como identificar compensações sozinho?
Assimetrias, desconfortos e mudanças na execução podem passar despercebidos durante o treino. Saiba no que prestar atenção
Você faz um agachamento e sente muito mais uma perna do que a outra? Durante uma elevação de braços, um ombro sempre sobe primeiro? Ou termina um exercício para pernas sentindo a lombar mais cansada do que a musculatura que pretendia trabalhar?
Essas situações podem indicar compensações: adaptações que o corpo faz durante um movimento quando não consegue manter determinado padrão. Elas podem estar relacionadas a fatores como mobilidade, estabilidade, controle motor, fadiga ou até à própria anatomia.
O vídeo pode mostrar o que você não percebe
Uma das maneiras mais simples de observar a própria execução é gravar algumas repetições. Dependendo do exercício, vale analisar o movimento de frente e de lado.
No agachamento, por exemplo, observe se o corpo se desloca excessivamente para um lado, se os joelhos apresentam comportamentos muito diferentes ou se a postura muda conforme a série avança.
Recursos visuais também aparecem na literatura sobre autoavaliação. Uma revisão publicada na revista Fisioterapia e Pesquisa, analisou ferramentas baseadas em imagens e escalas visuais utilizadas para avaliar a própria postura.
Compare um lado com o outro
Assimetrias ficam mais evidentes quando os lados são observados separadamente. Exercícios unilaterais e movimentos simples de mobilidade podem ajudar a perceber se um lado apresenta amplitude, estabilidade ou controle muito diferentes do outro.
Isso não significa que qualquer diferença seja um problema. O corpo humano não é perfeitamente simétrico. O sinal merece mais atenção quando a diferença é grande, surge de repente ou interfere na execução.
Observe onde aparece o esforço
Sentir repetidamente uma região que não deveria ser protagonista daquele exercício também pode ser uma pista. Se a lombar sempre limita um movimento destinado às pernas, por exemplo, vale observar a técnica e a carga utilizada.
A cadeia cinética ajuda a explicar por que uma alteração em determinada região pode modificar outras partes do movimento: articulações e músculos trabalham de maneira integrada, e uma limitação pode levar o corpo a buscar outra estratégia para concluir a tarefa.
Dá para corrigir sozinho?
Identificar um padrão é diferente de descobrir sua causa. Vídeos, espelho e comparação entre os lados podem ajudar a perceber que algo mudou, mas não permitem diagnosticar sozinho se existe fraqueza, limitação de mobilidade ou outro problema.
Se a compensação se repete, piora com o aumento da carga ou vem acompanhada de dor, o mais indicado é procurar um profissional para avaliar o movimento antes de simplesmente tentar “corrigir” a postura por conta própria.





