“Eu devorava duas pizzas sozinha. Aos 18 anos, cheguei a pesar 118 quilos”

A chef Alê Peruzzo brigou muito com balança e chegou até a fazer cirurgia bariátrica. Hoje, ela sabe aliar a profissão de confeiteira a hábitos saudáveis

Já se imaginou dona de uma doceria, tendo que preparar, todos os dias, receitas cheias de açúcar e, mesmo assim, manter a dieta? Essa é a rotina de Alessandra Peruzzo, chef confeiteira que participou da edição de 2018 do programa Batalha dos Confeiteiros, da Record. A paulistana já chegou a pesar 118 quilos e passou por uma cirurgia bariátrica, mas hoje ela consegue equilibrar as gostosuras que prepara com uma rotina saudável de alimentação balanceada e atividade física.  

Descendente de italianos e portugueses, Alê conta que, na infância, a maior preocupação de seus pais em relação à alimentação era não deixá-la ficar muito magrinha. “Eu sempre gostei de tudo: salada, verdura, legumes… Só que em grandes quantidades!”. A paixão por mastigar cresceu tanto que ela chegou a devorar três pratos de estrogonofe durante o jantar! Não à toa, aos 12 anos, pesava 70 quilos e era pré-diabética, apesar de sempre ter praticado atividade física. “Minha tia, que era endocrinologista, me ajudou a repensar meu cardápio”, lembra.

Na época, uma dieta com menos carboidratos, bastante salada e opções menos calóricas do que snacks industrializados bastou para controlar a doença que, aos 16 anos, já havia desaparecido. Como consequência, a preocupação com os hábitos saudáveis foi sendo deixada de lado e a garota voltou a comer exageradamente. “Eu devorava duas pizzas sozinha. Aos 18 anos, cheguei a pesar 118 quilos”.

A situação piorou quando Alê contraiu meningite e o quadro avançou para um tumor cerebral, o que a levou a ficar internada por dois meses à base de corticoide e a somar quilos na balança. A cirurgia bariátrica foi a saída para ajudar a jovem de 19 anos a ter um corpo mais saudável. “Os efeitos da cirurgia são muito bons, mas é um processo bem difícil”, desabafa. E restritivo também: durante o primeiro mês depois da operação, ela podia ingerir apenas líquidos (água de coco e isotônicos) e, só aos poucos, passou aos alimentos pastosos

Em sete meses, Alê já tinha dado adeus a 56 quilos e realizou um sonho de infância: cursar gastronomia. “Na faculdade, eu tinha que consumir o que produzia. Como havia acabado de fazer a bariátrica, comia bem menos e não ganhei todo o peso de novo”. O problema foi quando ela abriu sua doceria, em 2015. “Voltei a engordar e tive que entrar na dieta novamente”.

Dessa vez, a mudança foi para valer. Ela tentou seguir, por exemplo, a dieta dukan, que limita carboidratos e permite apenas proteínas magras, e a VLCD – very low carb diet, em que se consome apenas preparações em pó em algumas refeições. Mas a dificuldade foi grande, já que esses modelos são restritivos demais. Nesse momento, veio a oportunidade de participar do reality show – uma baita prova de resistência! “No camarim, enquanto todo mundo comia bombons e chocolates, eu estava com meus sachês (risos)”.

Atualmente, Alê sabe que equilíbrio é a palavra-chave para conseguir manter uma boa alimentação. “Doces são o meu trabalho, eu preciso provar. Só que compenso nas outras refeições”, garante. No prato, as porções de frutas, verduras e legumes ficaram bem mais generosas, e as de gorduras e carboidratos simples, menores. Mas ela não abre mão das delícias que a satisfaziam na adolescência. “Tenho que ter um dia no fim de semana para comer pizza, assim fica muito mais fácil não passar vontade”. 

Os exercícios físicos também têm lugar garantido na rotina da chef. “Treino musculação para fortalecer as articulações, já que tenho tendinite e bursite, e faço spinning todos os dias”. Aos 27 anos e pesando 73 quilos, ela confessa que gostaria de voltar aos 68 que alcançou logo depois da cirurgia, mas que se sente feliz e realizada com seu corpo.

De frente para o perigo

Dicas da Alê para quem precisa lidar, o tempo todo, com gostosura açucaradas:

Se você tem que provar, prove. Mas não exagere

“Antes, se eu tinha que experimentar alguma coisa que havia feito, comia o prato todo. Tive que aprender a controlar a vontade e pegar só um pedacinho.”

Doce não é para encher barriga

“Sempre gostei muito de doce. O problema é que, antes, quando eu tinha vontade de comer um, comia o bolo inteiro para satisfazer a minha fome. Hoje, antes de atacar a sobremesa, tomo um copo d’água ou como alguma coisa menos calórica e que traz mais saciedade.”

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