Conheça dois exames que apontam como melhorar seu desempenho na corrida

Nossa editora de fitness, Daniela Bernardi, fez o exame biomecânico e a avaliação aeróbica da Ultra Sports Science para evitar lesões e ter mais resultados

A simplicidade da corrida – basta colocar um pé na frente do outro, né? – se torna complexa a cada prova que buscamos novos recordes pessoais. Afinal, são os pequenos detalhes que farão diferença na nossa mecânica e no nosso fôlego para que, na hora da competição, a gente consiga reduzir mais alguns segundos (ou minutos) no relógio. Por isso, fui conhecer dois exames da clínica esportiva Ultra Sports Science, em São Paulo, para saber o que posso aperfeiçoar na minha corrida para conquistar novos objetivos.

Exame biomecânico

Mais de vinte bolinhas prateadas foram coladas no meu corpo, mais especificamente, nas minhas articulações. “Elas serão monitoradas por oito câmeras que tiram 240 fotos por segundo enquanto você corre”, explicou o fisioterapeuta Paulo Roberto Lucareli. Como nos filmes de efeito especial, um computador capta meu movimento e cria um esqueleto tridimensional para que, depois, um software calcule os desvios e as irregularidades da minha mecânica.

“Não existe um modo perfeito para correr. Se você olhar as campeãs da São Silvestre ou mesmo o Bolt, encontrará padrões que a ciência considera errado. Mas, nem por isso, significa que eles precisem mudar”, diz Paulo, que relembra um estudo da revista Nature que insinuou que pisar com a frente dos pés seria mais natural e que tocar o solo com os calcanhares sobrecarregaria os joelhos “Daí, todo mundo decidiu que precisava adotar essa mecânica ‘melhor’. Só que com essa troca, a absorção do impacto passa para a panturrilha. Ou seja, você acaba correndo o risco de lesionar uma nova parte do corpo”, explica a fisioterapeuta Nayra Rabelo Menezes.

Por isso, todos os resultados do exame precisam ser avaliados por profissionais da área. No meu caso, não foram constatados grandes problemas a serem consertados. Além do meu ombro esquerdo que inclina levemente para frente, eu também flexiono um pouquinho demais os joelhos na hora de apoiar o pé no solo. “Essas alterações podem ser causadas por fraqueza de alguns músculos, como os da frente da coxa e os que envolvem o quadril”, diz Paulo. Por isso, antes de tentar forçar qualquer mudança na minha biomecânica, a primeira tática é focar no treino de musculação. “Mas sempre pensando na funcionalidade da corrida. Não adianta você conseguir carregar um pneu, mas não ser capaz de acionar sua musculatura da forma que o esporte necessita.”

Outros achados comuns neste exame são: pernas que cruzam à frente do corpo, pés que fazem uma espécie de chicote ao sair do chão e tronco reto demais.

Avaliação do Desempenho Aeróbio

O exame é super-rápido: respirando dentro de uma máscara que cobre o nariz e a boca, eu corri por alguns minutos até atingir meu limite de esforço – no caso, 14 km/h. O software, então, calcula as zonas de intensidade do meu organismo, isto é, em qual velocidade estou em um ritmo tranquilo, em um médio e em um pesado. “De acordo com o consumo de oxigênio e a produção de gás carbônico, conseguimos determinar em qual pace seu corpo entra em atividade anaeróbica”, diz o médico do esporte Danilo Marcelo Leite do Prado. É nessa hora que acaba o glicogênio (o carboidrato presente nos músculos) e a fadiga pode aparecer.

Ou seja, com os números do exame, dá para calcular qual ritmo eu devo manter para não quebrar em uma meia-maratona, por exemplo. No meu caso, descobri que poderia acelerar mais do que imaginava – estava subestimando minha capacidade! Então, na prova do Rio de Janeiro, no início de junho, eu até tentei focar no 5’30 que o teste indicou, porém, o calor e o psicológico atrapalharam minha performance (a corrida tem essas coisas, né?). “Com os valores, você e seu técnico conseguem planejar, com segurança, uma sequência de treinos para melhorar de 15 a 30% o desempenho aeróbico”, garante Danilo. Só que, para isso, as velocidades devem ser precisas e não podem subestimar (nem superestimar) a capacidade do meu organismo.

Com o mesmo exame, também percebemos se os músculos responsáveis pela respiração estão sobrecarregados (achava que eram só as pernas que trabalhavam durante a corrida?). Às vezes, o VO2 (volume de oxigênio que o corpo consegue consumir) é grande, mas não se mostra eficiente durante o uso pela musculatura. “Neste caso, alguns exercícios de respiração podem ajudar a melhorar o aproveitamento desse ar”, indica Danilo. E, para quem tem interesse em emagrecer com a corrida: sim, o exame também aponta em qual ritmo seu corpo oxida mais gordura abdominal – nem sempre é o pace mais rápido, sabia?

Preços: exame biomecânico R$ 1 000 e teste de desempenho aeróbico R$ 500.

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